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Sergipe

Lei Estadual de Sergipe nº 8684, de 23 de junho de 2020

Nº 8684/2020

Institui a Política e o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil, cria o Conselho Estadual de Defesa Civil, e dá providências correlatas. O GOVERNADOR DO ESTADO DE SERGIPE,

Faço saber que a Assembleia Legislativa do Estado aprovou e que eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DA POLÍTICA ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 1.
Fica instituída a Política Estadual de Proteção e Defesa Civil - PEPDEC, com a finalidade de orientar as ações de prevenção, mitigação, resposta e recuperação voltadas à redução de desastres no Estado de Sergipe.
Parágrafo únicoA PEPDEC deve integrar-se às políticas de ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, saúde, meio ambiente, mudanças climáticas, gestão de recursos hídricos, geologia, infraestrutura, educação, ciência e tecnologia e às demais políticas setoriais, tendo em vista a promoção do desenvolvimento sustentável.
Art. 2.
Os conceitos e terminologias adotados nesta política são os mesmos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC.
Art. 3.
São diretrizes da PEPDEC:
Iatuação articulada entre a União, o Estado de Sergipe, os municípios sergipanos e os demais Estados para redução de desastres e apoio às comunidades atingidas;
IIabordagem sistêmica das ações de prevenção, mitigação, resposta e recuperação;
IIIprioridade às ações preventivas relacionadas à minimização de desastres;
IVadoção da bacia hidrográfica como unidade de análise das ações de prevenção de desastres relacionados a corpos de água;
Vplanejamento com base em pesquisas e estudos sobre áreas de risco e incidência de desastres no território nacional;
VIparticipação da sociedade civil.
Art. 4.
São objetivos da PEPDEC:
Ireduzir os riscos de desastres;
IIprestar socorro e assistência às populações atingidas por desastres;
IIIrecuperar as áreas afetadas por desastres;
IVincorporar a redução do risco de desastre e as ações de proteção e defesa civil entre os elementos da gestão territorial e do planejamento das políticas setoriais;
Vpromover a continuidade das ações de proteção e defesa civil;
VIestimular o desenvolvimento de cidades resilientes e os processos sustentáveis de urbanização;
VIIpromover a identificação e a avaliação das ameaças, suscetibilidades e vulnerabilidades a desastres, de modo a evitar ou reduzir sua ocorrência;
VIIImonitorar os eventos meteorológicos, hidrológicos, geológicos, biológicos, nucleares, químicos e outros potencialmente causadores de desastres;
IXproduzir alertas antecipados sobre a possibilidade de ocorrência de desastres naturais;
Xestimular o ordenamento da ocupação do solo urbano e rural, tendo em vista sua conservação e a proteção da vegetação nativa, dos recursos hídricos e da vida humana.

CAPÍTULO II

DO SISTEMA ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 5.
Fica instituído o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil - SEPDEC, constituído por órgãos e entidades que integram a Administração Pública Estadual, por entidades privadas e pela comunidade de modo geral, sob a coordenação do Órgão Central de Proteção e Defesa Civil, tendo ainda como órgão consultivo o Conselho Estadual de Proteção e Defesa Civil e os órgãos municipais de proteção e defesa civil.
Art. 6.
O SEPDEC tem a seguinte estrutura:
Iórgão superior: Conselho Estadual de Proteção e Defesa Civil -CEPDEC;
IIórgão central: Órgão Estadual de Defesa Civil, com a finalidade de coordenar o sistema;
IIIórgãos municipais: Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil - COMPDEC;
IVórgãos de apoio: entidades privadas e sociedade civil organizada de modo geral e Núcleos de Proteção e Defesa Civil - NUPDECs.
§ 1ºO SEPDEC tem por finalidade contribuir no processo de planejamento, articulação, coordenação e execução dos programas, projetos e ações de proteção e defesa civil.
§ 2ºPodem participar, ainda, do SEPDEC as organizações comunitárias de caráter voluntário ou outras entidades com atuação significativa nas ações locais de proteção e defesa civil.
Art. 7.
São objetivos do SEPDEC:
Iplanejar e promover a defesa permanente contra desastres;
IIcoordenar as ações de proteção e defesa civil em nível estadual;
IIIpriorizar e apoiar as ações preventivas, de preparação e mitigação para emergências e desastres, resposta e reconstrução de áreas afetadas por desastres;
IVatuar preventivamente na iminência de desastres e proativamente nas situações de desastres.

CAPÍTULO III

DO CONSELHO ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 8.
Fica criado o Conselho Estadual de Proteção e Defesa Civil - CEPDEC, órgão colegiado superior e de caráter deliberativo do SEPDEC.
§ 1ºO CEPDEC é composto por representantes dos seguintes órgãos:
ISecretaria de Estado Geral de Governo – SEGG;
IISecretaria de Estado da Administração – SEAD;
IIISecretaria de Estado da Fazenda – SEFAZ;
IVSecretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade – SEDURBS;
VSecretaria de Estado da Segurança Pública – SSP;
VISecretaria de Estado da Justiça, do Trabalho e de Defesa do Consumidor – SEJUC;
VIISecretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura – SEDUC;
VIIISecretaria de Estado da Saúde – SES;
IXSecretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca – SEAGRI;
XSecretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia – SEDETEC;
XISecretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social – SEIAS;
XIISecretaria de Estado do Turismo – SETUR;
XIIISecretaria de Estado da Comunicação Social – SECOM;
XIVSecretaria de Estado da Transparência e Controle – SETC;
XVProcuradoria-Geral do Estado – PGE;
XVIGabinete Militar do Governo do Estado – GM.
§ 2ºO CEPDEC deve ter seu funcionamento regulamentado por decreto do Governador do Estado, não sendo seu exercício remunerado, e tendo como finalidades:
Ianalisar e emitir parecer sobre o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil;
IIpropor normas e procedimentos para implementação e execução da PEPDEC;
IIIacompanhar o cumprimento das disposições legais e regulamentares de proteção e defesa civil;
IVavaliar, quando acionado, a criação de comissões técnicas interinstitucionais para a realização de estudos, pesquisas e trabalhos especializados de interesse da Defesa Civil;
Vproferir decisão, em grau de recurso, em pedido de reconsideração constante do art. 23 desta Lei, no prazo de 10 (dez) dias;
VIelaborar, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, e submeter à aprovação do Chefe do Poder Executivo a minuta do decreto de constituição do conselho e seu regimento interno.
§ 3ºO CEPDEC deve ser presidido pelo Secretário de Estado ao qual a Defesa Civil estiver subordinada, tendo como Secretário Executivo o agente público responsável pela Proteção e Defesa Civil.
§ 4ºCompete ao Secretário de Estado ao qual a Defesa Civil estiver subordinada designar os integrantes do CEPDEC, mediante indicação dos titulares dos órgãos representados, submetendo-os à aprovação do Chefe do Poder Executivo.
§ 5ºOs recursos financeiros eventualmente necessários em uma situação de socorro devem ser inicialmente oriundos do orçamento da Secretaria de Estado à qual a Defesa Civil estiver subordinada, podendo ser suplementado.
§ 6ºO CEPDEC deve reunir-se ordinariamente e extraordinariamente sempre que convocado por seu Presidente.

CAPÍTULO IV

DO PLANO ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 9.
O Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil deve conter, no mínimo:
Ia identificação das bacias hidrográficas e demais unidades territoriais com risco de ocorrência de desastres;
IIas diretrizes de ação governamental de proteção e defesa civil no âmbito estadual, em especial no que se refere à implantação da rede de monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico das bacias e áreas com risco de desastre;
IIIa definição das atribuições setoriais específicas visando à elaboração dos planos setoriais de proteção e defesa civil pelas instituições que integram o SEPDEC.
Parágrafo únicoO Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil deve ser elaborado pelo órgão responsável pela Proteção e Defesa Civil no prazo de 180 (cento e oitenta) dias e atualizado a cada 12 (doze) meses.

CAPÍTULO V

DOS AGENTES DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 10.
Para fins do disposto nesta Lei consideram-se agentes de proteção e defesa civil:
Ios agentes do Estado e dos Municípios responsáveis pela direção superior dos órgãos do SEPDEC;
IIos agentes públicos responsáveis pela coordenação e direção de órgãos ou entidades públicas prestadores dos serviços de proteção e defesa civil;
IIIos agentes públicos detentores de cargo, emprego ou função pública, civis ou militares, com atribuições relativas à prestação ou execução dos serviços de proteção e defesa civil; e
IVos agentes voluntários vinculados a entidades privadas ou prestadores de serviços voluntários que exercem, em caráter suplementar, serviços relacionados à proteção e defesa civil.
Parágrafo únicoOs órgãos do SEPDEC devem adotar, no âmbito de suas competências, as medidas pertinentes para assegurar a profissionalização e a qualificação, em caráter permanente, dos agentes públicos referidos no inciso III desta Lei.
Art. 11.
São obrigações do agente de proteção e defesa civil:
Iconhecer e observar as normas e manuais técnicos relacionados às ações sob sua responsabilidade;
IIcumprir metas e prazos das ações sob sua responsabilidade;
IIIpromover a melhoria dos processos, primando pela eficiência, eficácia e efetividade nos serviços prestados;
IVparticipar de eventos institucionais, capacitações e reuniões de trabalho quando convocado ou selecionado;
Vconhecer, observar e utilizar os regulamentos e instrumentos gerenciais na execução das ações sob sua responsabilidade;
VIzelar pela manutenção, uso e guarda do material de expediente, eliminando os desperdícios;
VIIcontrolar e conservar os bens patrimoniais sob sua responsabilidade;
VIIIdesempenhar outras tarefas que lhe forem determinadas pelo chefe imediato, nos limites de sua competência;
IXexercer o poder de polícia em toda a sua amplitude, desde que o faça objetivando o zelo da saúde e segurança da população, prevenindo e evitando a ocorrência de acidentes que possam pôr em risco o patrimônio e a integridade física dos demais cidadãos.

CAPÍTULO VI

DO ÓRGÃO CENTRAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 12.
órgão central de Proteção e Defesa Civil, além das competências do art. 7º da Lei (Federal) nº 12.608, de 10 de abril de 2012, deve ter as seguintes atribuições:
Ipromover e coordenar o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil, em articulação com a União e os Municípios
IIrealizar abordagem sistêmica através de ações de prevenção, mitigação, resposta e recuperação;
IIIexpedir normas para implementação e execução de Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil;
IVorientar e supervisionar as ações de defesa civil;
Velaborar e implementar planos, programas e projetos de defesa civil;
VImanter o cadastro produzido pelos Municípios das áreas suscetíveis à ocorrência de desastres com suas respectivas caracterizações, levantamento e mapeamento;
VIIidentificar as bacias hidrográficas com risco de ocorrência de desastres;
VIIImanter sistema de monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico das áreas de risco, bem como dos riscos biológicos, nucleares e químicos;
IXproduzir alertas sobre a possibilidade de ocorrência de desastres, em articulação com a União e os Municípios;
Xincentivar a pesquisa sobre desastres e o ensino destinado à pesquisa, extensão e capacitação de recursos humanos, com vistas ao gerenciamento e à execução de atividades de proteção e defesa civil, em articulação com órgãos internacionais, federais e estaduais especializados;
XImanter sistema de informações de desastres compatível com o sistema nacional de informações e monitoramento de desastres;
XIIelaborar e propor ações voltadas ao aperfeiçoamento de programas para Proteção e Defesa Civil, bem como o desenvolvimento de novos programas e projetos;
XIIIidentificar e sugerir o uso de recursos orçamentários e financeiros a serem utilizados em ações de proteção e defesa civil;
XIVanalisar e sugerir alterações em políticas públicas de desenvolvimento que possam aperfeiçoar a prevenção e a resiliência a desastres;
XVinstruir processo para declaração de estado de calamidade pública ou situação de emergência, quando de competência do Estado;
XVIestimular comportamentos de prevenção capazes de evitar ou minimizar a ocorrência de desastres;
XVIIestimular a reorganização do setor produtivo e a reestruturação econômica das áreas atingidas por desastres;

XVIII - apoiar os Municípios na implantação dos órgãos municipais de proteção e defesa civil e núcleos de proteção e defesa civil, de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo órgão central do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC;

XIXapoiar os Municípios na elaboração da carta geotécnica;
XXapoiar, se necessário, as vistorias em edificações e áreas de risco e promover, quando for o caso, a intervenção preventiva e a evacuação da população das áreas de alto risco ou das edificações vulneráveis;
XXIapoiar os Municípios no mapeamento das áreas de risco, nos estudos de identificação de ameaças, suscetibilidades, vulnerabilidades e risco de desastre e nas demais ações de prevenção, mitigação, resposta e recuperação;
XXIIprovidenciar a distribuição e o controle dos suprimentos necessários ao abastecimento em situações de desastres;

XXIII - propor o disciplinamento do controle, manuseio e transporte de produtos perigosos, bem como do seu armazenamento provisório.

XXIVsubsidiar os Gabinetes do Secretário e do Governador do Estado com informações relacionadas à Proteção e Defesa Civil, em casos de situação de emergência e estado de calamidade pública ou na iminência de sua ocorrência;
XXVrequisitar em caso de desastres ou na iminência:
a)temporariamente, servidores e recursos materiais de órgãos ou entidades integrantes do SEPDEC, necessários para emprego em ação de defesa civil;
b)recursos financeiros, materiais e humanos necessários à eficácia de seu desempenho, obedecida a legislação vigente;
XXVIpropor ao Governador do Estado a homologação de situação de emergência ou de estado de calamidade pública, observando os critérios estabelecidos pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil;

XXVII - propor ao Governador do Estado a política e as diretrizes que devem orientar a ação governamental nas atividades de defesa civil do Estado.

CAPÍTULO VII

DAS COORDENADORIAS MUNICIPAIS DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL

Art. 13.
Às Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil - COMPDEC, nas respectivas áreas, compete:
Iexecutar a PNPDEC e PEPDEC em âmbito local;
IIcoordenar as ações do SINPDEC no âmbito local, em articulação com a União e os Estados;
IIIincorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal;
IVidentificar e mapear as áreas de risco de desastre;
Vpromover a fiscalização das áreas de risco de desastre e vedar novas ocupações nessas áreas;
VIpropor, ao Chefe do Poder Executivo Municipal, a declaração de situação de emergência e estado de calamidade pública;
VIIvistoriar edificações e áreas de risco e promover, quando for o caso, a intervenção preventiva e a evacuação da população das áreas de alto risco ou das edificações vulneráveis;
VIIIorganizar e administrar abrigos provisórios para assistência à população em situação de desastre, em condições adequadas de higiene e segurança;
IXmanter a população informada sobre áreas de risco e ocorrência de eventos extremos, bem como sobre protocolos de prevenção e alerta e sobre as ações emergenciais em circunstâncias de desastre;
Xmobilizar e capacitar os radioamadores para atuação na ocorrência de desastre;
XIrealizar regularmente exercícios simulados, conforme Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil;
XIIpromover a coleta, a distribuição e o controle de suprimentos em situação de desastre;
XIIIproceder à avaliação de danos e prejuízos das áreas atingidas por desastres;
XIVmanter a União e o Estado informados sobre a ocorrência de desastres e atividades de proteção civil no Município;
XVestimular a participação de entidades privadas, associações de voluntários, clubes de serviços, organizações não governamentais e associações de classe e comunitárias nas ações do SINPDEC e promover o treinamento de associações de voluntários para atuação conjunta com as comunidades apoiadas;
XVIprover solução de moradia temporária às famílias atingidas por desastres.
Parágrafo únicoAs ações desenvolvidas pelas Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil - COMPDEC devem ser operacionalizadas em regime de colaboração recíproca com o Estado, respeitada a autonomia municipal, de modo que a sua coordenação ficará ao encargo do órgão local de defesa civil.

CAPÍTULO VIII

DOS ÓRGÃOS DE APOIO

Art. 14.
Aos órgãos de apoio do Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil compete:
Ipropiciar apoio técnico;
IIcolaborar na formação de banco de dados e mapa-força dos recursos disponíveis em cada entidade para as ações de socorro, assistência e recuperação;
IIIengajar-se nas ações de socorro e assistência, mobilizando recursos humanos e materiais disponíveis nas entidades representadas, quando o exigir o interesse da defesa civil;
IVexecutar, nas áreas de sua competência, as ações determinadas pelo Órgão Central de Proteção e Defesa Civil, visando atuação conjugada e harmônica.

CAPÍTULO IX

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 15.
Em situações de emergência ou estado de calamidade pública, as atividades assistenciais, de reabilitação e de recuperação devem ser da responsabilidade do Município, cabendo posteriormente ao Estado as ações supletivas, quando comprovadamente esgotada a capacidade de atendimento da administração local.
Parágrafo únicoA atuação dos órgãos estaduais e municipais, na área atingida por desastre, deve ocorrer sempre em regime de cooperação, cabendo sua coordenação ao órgão municipal de Proteção e Defesa Civil.
Art. 16.
A situação de emergência e o estado de calamidade pública devem ser decretados pelo Chefe do Poder Executivo Municipal, quando o evento atingir apenas o seu Município, ou pelo Governador do Estado, quando o evento tiver atingido dois ou mais Municípios, devendo constar no decreto a previsão de sua vigência e sua suspensão imediata após o retorno à normalidade.
§ 1ºDecretada a situação de emergência ou o estado de calamidade pública, o decreto municipal deve ser, imediatamente, remetido ao órgão central de Proteção e Defesa Civil, para que sejam tomadas as medidas cabíveis em relação à participação do Estado no atendimento aos pleitos do Município.
§ 2ºOs eventos anormais e adversos devem ser notificados ao órgão central de Proteção e Defesa Civil no prazo de até 12 (doze) horas, contados de sua ocorrência, mesmo que não caracterizem situação de emergência ou estado de calamidade pública, para fins de cadastro no banco de dados do Estado.
Art. 17.
Quando houver a necessidade de aporte de recursos orçamentários e financeiros estaduais para atendimento aos Municípios atingidos por desastre, é necessária a homologação da situação de emergência ou do estado de calamidade pública decretados pelo Governador do Estado.
§ 1ºA decretação da situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo Município não obriga o Estado a homologá-lo.
§ 2ºO Poder Executivo Estadual deve homologar a situação anormal decretada pelo Município quando, caracterizado o desastre, for necessário estabelecer um regime jurídico especial que permita o atendimento complementar às necessidades temporárias de excepcional interesse público, voltadas à resposta aos desastres, à reabilitação do cenário e à reconstrução das áreas atingidas.
Art. 18.
A homologação da situação de emergência ou do estado de calamidade pública pelo Poder Executivo Estadual deve ocorrer por meio de decreto, após requerimento do Poder Executivo do Município afetado pelo desastre.
§ 1ºNo corpo do requerimento, a autoridade deve explicitar as razões pelas quais deseja a homologação, incluindo as necessidades de auxílio complementar por parte do Governo Estadual.
§ 2ºO requerimento deve ser encaminhado ao órgão central de Proteção e Defesa Civil, no prazo máximo de 15 (quinze) dias da ocorrência do desastre, não impactando nos prazos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
§ 3ºNo caso dos desastres graduais ou de evolução crônica, o prazo previsto no § 2º deste artigo deve ser de 20 (vinte) dias contados da data do decreto que declara situação anormal.
§ 4ºO requerimento para fins de homologação de situação de emergência ou estado de calamidade pública deve ser acompanhado da seguinte documentação:
IDecreto (original ou cópia autenticada ou carimbo e assinatura de confere com o original);
IIFormulário de Informações do Desastre - FIDE;
IIIDeclaração Municipal de Atuação Emergencial - DMATE, demonstrando as medidas e ações em curso, capacidade de atuação e recursos humanos, materiais institucionais e financeiros empregados pelo ente federado afetado para o restabelecimento da normalidade;
IVparecer do órgão municipal, distrital ou estadual de Proteção e Defesa Civil, fundamentando a decretação e a necessidade de reconhecimento federal;
Vrelatório fotográfico, composto por fotos legendadas, preferencialmente georreferenciadas;
VIoutros documentos ou registros que esclareçam ou ilustrem a ocorrência do desastre.
Art. 19.
Quando flagrante a intensidade do desastre e seu impacto social, econômico e ambiental na região afetada, o órgão central de Proteção e Defesa Civil, com o objetivo de acelerar as ações de resposta aos desastres, pode orientar o Governador do Estado a promover a homologação sumária da situação de emergência ou do estado de calamidade pública, com base apenas no requerimento e no decreto do Município.
Parágrafo únicoQuando a homologação for sumária, a documentação prevista deve ser encaminhada ao Órgão Central de Proteção e Defesa Civil no prazo máximo de 10 (dez) dias da publicação da homologação, para fins de instrução do processo e de apoio complementar por parte do Governo Estadual.
Art. 20.
Constatada a qualquer tempo a presença de vícios nos documentos constantes da solicitação de homologação ou a inexistência do estado de calamidade pública ou da situação de emergência declarados, o decreto de homologação deve ser revogado e perder seus efeitos, assim como o ato administrativo que tenha autorizado a realização da transferência obrigatória ou voluntária, ficando o ente beneficiário obrigado a devolver os valores repassados atualizados monetariamente, conforme determina a legislação pertinente.
Art. 21.
Município que discordar do indeferimento do pedido da homologação deve apresentar à autoridade que proferiu a decisão, no prazo de 10 (dez) dias, recurso administrativo apontando as divergências, suas razões e justificativas.
§ 1ºO pedido de reconsideração do ato de indeferimento deve ser fundamentado, indicando a legislação e as provas que amparam seus argumentos.
§ 2ºDa decisão proferida no pedido de reconsideração, constante do § 1º deste artigo, cabe recurso em último grau ao Conselho Estadual de Proteção e Defesa Civil - CEPDEC, no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 22.
A homologação da situação de emergência ou do estado de calamidade pública pelo Estado deve ser válida por no máximo até completar 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 23.
s Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil - NUPDECs devem funcionar como centros de reuniões e debates entre as Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil - COMPDEC e as comunidades locais, com competência para planejar, promover e coordenar atividades de defesa civil, com destaque para:
Iidentificação de riscos de desastres e participação na preparação de mapas temáticos relacionados com as ameaças e as vulnerabilidades dos cenários;
IIpromoção do debate de medidas preventivas estruturais e não estruturais, com o objetivo de reduzir os riscos de desastres;
IIIdemandar procedimentos para a elaboração de planos de contingência locais e de operações, objetivando a resposta aos desastres e de exercícios simulados, para aperfeiçoá-los;
IVsolicitar o treinamento de voluntários e de equipes técnicas para atuarem em circunstâncias de desastres;
Varticulação com órgãos de monitoramento, alerta e alarme, com o objetivo de otimizar a previsão de desastres;
VIorganização de planos de chamadas, com o objetivo de otimizar o estado de alerta na iminência de desastres.
Art. 24.
Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 25.
Revogam-se as disposições em contrário. Aracaju, 19 de junho de 2020; 199º da Independência e 132º da República. BELIVALDO CHAGAS SILVA GOVERNADOR DO ESTADO Ubirajara Barreto Santos Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade José Carlos Felizola Soares Filho Secretário de Estado Geral de Governo Reproduzida por ter sido publicada com incorreção no diário oficial do estado do dia 23 de junho de 2020. INSTITUI 1108062020 PL 87-2020 JRNC. REPUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DO DIA 24 DE JUNHO DE 2020

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