Rio Grande do Sul
Decreto Estadual do Rio Grande do Sul nº 58274, de 22 de julho de 2025
Nº 58.274/2025
Nesta página
CAPÍTULO I – DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES CAPÍTULO II – DAS DIRETRIZES ESTRATÉGICAS CAPÍTULO III – INSTRUMENTO E MECANISMOS CAPÍTULO IV – DA ADMINISTRAÇÃO CAPÍTULO IV – DO PROCESSO DE MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO E RELATÓRIOS CAPÍTULO V – DA ATUALIZAÇÃO E REVISÃO PERIÓDICA CAPÍTULO VI – DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIASESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Gabinete de Consultoria Legislativa
Institui o Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do Estado do Rio Grande do Sul - Plano de Desenvolvimento, e dispõe sobre sua governança e gestão.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, no uso das
atribuições que lhe confere o art. 82, incisos V e VII, da Constituição Estadual,
DECRETA:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
2 formulação do Plano Plurianual (PPA), das leis de diretrizes orçamentárias (LDO) e dos orçamentos anuais (LOA), bem como nos Acordos de Resultados firmados pelas Secretarias de Estado.
CAPÍTULO II
DAS DIRETRIZES ESTRATÉGICAS
3
CAPÍTULO III
INSTRUMENTO E MECANISMOS
4
CAPÍTULO IV
DA ADMINISTRAÇÃO
SEÇÃO I
Da governança
5
6
SEÇÃO II
Da Gestão
7
SEÇÃO III
Da relação com a Invest RS
8
CAPÍTULO IV
DO PROCESSO DE MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO E RELATÓRIOS
9
CAPÍTULO V
DA ATUALIZAÇÃO E REVISÃO PERIÓDICA
10
11
CAPÍTULO VI
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 22 de julho de 2025.
ANEXO ÚNICO
Este anexo consolida as informações essenciais do plano, incluindo as I - quarenta e uma iniciativas, das quais vinte e seis são iniciativas-chave, II - os grupos econômicos priorizados e III - as apostas estratégicas que orientarão a execução do primeiro ciclo.
12 As 41 (quarenta e uma) iniciativas estão organizadas em torno de 12 (doze) alavancas estratégicas e 5 (cinco) habilitadores, e têm como objetivo impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo do Estado. Dentre elas, 26 (vinte e seis) foram classificadas como iniciativas-chave por seu caráter estruturante e capacidade de alavancar transformações relevantes.
Habilitador: Capital Humano As iniciativas de números 1, 3, 4 e 6 são consideradas iniciativas-chave.
Alavanca 01: Atrair e reter capital humano Iniciativas: 1. Criar e implementar Plano de Ações para Atração e Retenção de Capital Humano (Iniciativa-chave); 2. Criar estratégia de branding do Rio Grande do Sul;
Alavanca 02: Ampliar e consolidar com qualidade escolas em tempo integral Iniciativa: 3. Expandir a oferta da educação em tempo integral com qualidade (Iniciativa-chave);
Alavanca 03: Aumentar a qualidade e permanência no ensino básico Iniciativas: 4. Melhorar proficiência, acesso e permanência na educação básica (Iniciativa-chave); 5. Expandir o escopo e a quantidade de beneficiários do programa Professor do Amanhã;
Alavanca 04: Aumentar qualidade e permanência da educação profissional Iniciativas: 6. Expandir a educação profissional e técnica (Iniciativa-chave); 7.Fortalecer os programas focados em qualificar e requalificar trabalhadores em situação de vulnerabilidade; 8. Criar programa de formação de profissionais em áreas estratégicas.
Habilitador: Inovação As iniciativas de números 9, 10 e 15 são consideradas iniciativas-chave.
Alavanca 05: Fortalecer o ecossistema de inovação do Rio Grande do Sul Iniciativas: 9. Criar e implementar Programa de Inteligência Artificial do RS (Iniciativa-chave); 10. Consolidar clusters de inovação de AgroTech e HealthTech, posicionando o Rio Grande do Sul como líder internacional (Iniciativa-chave); 11. Aprimorar mecanismos de financiamento e avaliação de inovações; 12. Alinhar os ecossistemas de inovação ao Plano de Desenvolvimento Econômico e fortalecer as iniciativas;
Alavanca 06: Converter inovação em riqueza e desenvolvimento
13 Iniciativas: 13. Criar e implementar ferramenta de conexão entre oferta e demanda de inovação; 14. Incentivar o empreendedorismo de mestrandos e doutorandos, e sua inserção profissional nas indústrias gaúchas; 15. Fortalecer programas de adoção de inovações produtivas (Iniciativa-chave);
Habilitador: Ambiente de Negócios As iniciativas de números 17, 18, 19, 21, 22, 23, 24, 25 e 26 são consideradas iniciativaschave.
Alavanca 07: Facilitar a realização de negócios no RS Iniciativas: 16. Diminuir a complexidade para abrir, alterar e fechar empresas e projetos, acessar programas e obter licenças; 17. Sistematizar e difundir diretrizes de licenciamento por áreas de atuação com apoio de georreferenciamento (Iniciativa-chave); 18. Padronizar e automatizar emissão de alvarás e licenças (Iniciativa-chave); 19. Fortalecer iniciativas de simplificação dos fluxos e práticas tributárias (Iniciativachave); 20. Fortalecer o diálogo entre os três poderes e os entes federativos para discutir temas de desenvolvimento econômico; 21. Criar e implementar estratégia de apoio aos pequenos produtores rurais (Iniciativachave); 22. Estabelecer programa de fomento, apoio a exportações e promoção comercial (Iniciativa-chave); 23. Criar e implementar estratégia de apoio a pequenas e médias empresas (Iniciativachave);
Alavanca 08: Consolidar o RS como destino de investimentos Iniciativas: 24. Criar painel de informações sobre características e ativos por município/região (Iniciativa-chave); 25. Diversificar incentivos para a atração, expansão e retenção de investimentos (Iniciativa-chave); 26. Implementar o Sistema Único de Fomento do Rio Grande do Sul (Iniciativa-chave); 27. Criar e implementar estratégia de capacitação e comunicação sobre incentivos e programas de desenvolvimento econômico;
Habilitador: Infraestrutura As iniciativas de números 28, 29, 32 e 33 são consideradas iniciativas-chave.
Alavanca 09: Aumentar a diversificação e qualidade das malhas logísticas Iniciativas:
14 28. Implementar as medidas e projetos definidos no Plano Estadual de Logística de Transportes - PELT-RS, nos diferentes modais (Iniciativa-chave); 29. Implementar os projetos de infraestrutura logística mapeados no Plano Rio Grande (Iniciativa-chave); 30. Implementar planejamento, manutenções e licitações referentes aos complexos portuários 31. Definir parâmetros técnicos para obras de infraestrutura que sejam resilientes a eventos climáticos extremos
Alavanca 10: Melhorar infraestrutura em áreas de menor cobertura no Estado Iniciativas: 32. Expandir cobertura e qualidade da conectividade rural (Iniciativa-chave); 33. Ampliar o fornecimento de eletricidade em áreas carentes (Iniciativa-chave);
Habilitador: Recursos Naturais As iniciativas de números 35, 36, 37, 38, 39 e 40 são consideradas iniciativas-chave.
Alavanca 11: Implementar práticas agrícolas sustentáveis e produtivas Iniciativas: 34. Criar e implementar programa de fomento a práticas agropecuárias que aumentem a sustentabilidade ambiental; 35. Fortalecer programas de fomento à produção de produtos premium (Iniciativa-chave); 36. Fomentar a produtividade do setor agropecuário do Estado (Iniciativa-chave);
Alavanca 12: Aumentar a resiliência climática e promover a descarbonização Iniciativas: 37. Desenvolver e implementar plano de resiliência climática (Iniciativa-chave); 38. Criar plano estadual de transição energética e descarbonização (Iniciativa-chave); 39. Desenvolver e implementar Plano de Segurança Hídrica (Iniciativa-chave); 40. Investir em tecnologias preditivas que antecipem desastres (Iniciativa-chave); 41. Criar protocolos e implementar mecanismos de resposta a desastres.
Foram priorizados grupos de produtos e serviços com potencial relevante para alavancar a economia do Estado, organizados em três perspectivas estratégicas - economias de sustentação, ascensão e inovaçãoe as apostas - conforme listagem ilustrativa e não exaustiva:
1. Cadeia agropecuária: integram a (I) economia de sustentação: grãos (soja, milho, trigo e arroz), carnes (bovinos, suínos e aves), leite e derivados; (II) economia de ascensão grãos e carnes processados (óleos, embutidos, industrializados, funcionais), alimentos certificados e com rastreamento e premium; (III) economia de inovação: melhoramento genético; (IV) apostas: pulse (sementes secas de leguminosas utilizadas na alimentação, como feijões, grão-de-bico, lentilha e ervilha), cordeiro e biotecnologia.
15 2. Cadeia automotiva: integram a (I) economia de ascensão: veículos convencionais (automóveis, motocicletas e ônibus), peças e partes; (II) economia de inovação: veículos elétricos (carros e ônibus) e suas partes, e sistemas eletrônicos para automóveis; (IV) apostas: novos materiais (exemplo: grafeno).
3. Produtos de transição energética: integram a (I) economia de sustentação: biodiesel; (II) economia de ascensão: energias renováveis (solar, eólica, hidráulica e biomassa), etanol 1G (milho e cereais), etanol 2G biogás e biometano; (III) economia de inovação: hidrogênio verde e cadeia, hidrogênio renovável, hidrogênio de baixo carbono, amônia verde, SAF, HVO e e-fuels.
4. Silvicultura, papel e celulose: integram a (I) economia de sustentação: celulose; (II) economia de ascensão: papéis e embalagens, madeiras engenheiradas, produtos de madeira (exemplos: MDF e MDP) e produtos derivados de tanino; (III) economia de inovação: biomateriais e bioquímicos a partir da celulose, novos produtos de madeira (exemplo: CLT) e novas aplicações de tanino; (IV) apostas: nanocristas e nanofibras.
5. Máquinas, equipamentos e semicondutores: integram a (I) economia de ascensão: máquinas e equipamentos industriais convencionais, e eletrodomésticos; (II) economia de inovação: equipamentos para energias renováveis, robôs industriais, máquinas de manufatura aditiva e semicondutores (projeto e design, circuitos básicos e encapsulamento); (IV) apostas: novos materiais (exemplo: grafeno).
6. Fertilizantes: integram a (I) economia de sustentação: fertilizantes convencionais, a partir de matéria-prima importada; (II) economia de ascensão: fertilizantes enriquecidos e remineralizados, e exploração de pedras fosfáticas, a partir de matéria-prima local; (III) economia de inovação: fertilizantes verdes (base de amônia verde) e biofertilizantes; (IV) apostas: nanofertilizantes, a partir de matéria-prima local.
7. Máquinas agrícolas: integram a (I) economia de ascensão: máquinas agrícolas convencionais (tratores, colheitadeira e outros); (II) economia de inovação: máquinas agrícolas automatizadas, conectadas à internet, e/ou com IA, e máquinas de agricultura de precisão.
8. Produtos e serviços digitais: integram a (I) economia de ascensão: prestação de serviços convencionais de Tecnologia da Informação a empresas e data centers; (II) economia de inovação: desenvolvimento de software e soluções setoriais (exemplos: Agtech, Healthtech, DeepTech, Indústria e GreenTech); (III) apostas: inteligência artificial (IA) e XTech (exemplos: BioTech, gestão de negócios e EdTech).
9. Cadeia petroquímica: integram a (I) economia de sustentação: resinas poliméricas convencionais (exemplos: PP, PE, Estireno, PS, MEK, SBR e EPDM); (II) economia de ascensão: polímeros reciclados, fibras sintéticas, polímeros de engenharia e produtos de plásticos (terceira geração); (III) economia de inovação: polímeros verdes, bioplásticos e plásticos degradáveis.
10. Produtos regionais de nicho: (I) integram a economia de ascensão: vinhos, espumantes e azeites; (II) apostas: noz pecã.
16 11. Turismo: integram a (I) economia de ascensão: serviços tradicionais de turismo (exemplos: alimentação, hotelaria, agência e transporte) e novos polos turísticos; (II) economia de inovação serviços digitais, inteligentes e automatizados de turismo.
12. Saúde: integram a (I) economia de ascensão: equipamentos básicos de diagnóstico e equipamentos de diagnóstico por imagem; (II) economia de inovação: equipamentos de saúde de precisão e equipamentos de terapia (incluindo celular e genética); (III) apostas: fármacos, medicamentos e terapias avançadas, e materiais médicos.
As seis megatendências que poderão impactar significativamente a economia gaúcha no médio-longo prazo englobam:
1. Envelhecimento populacional: a diminuição do crescimento populacional e a elevação da idade média dos trabalhadores e da faixa de população com idade superior a sessenta anos gerarão impactos na sociedade, na economia e nos serviços públicos.
2. Mudanças climáticas: as mudanças climáticas, que acarretam eventos climáticos extremos, geram mudanças imperativas nos modos de produção e consumo, sendo oportunidades de geração de riqueza.
3. Digitalização e inteligência artificial: os avanços exponenciais da inteligência artificial revolucionam as possibilidades de análise de informações, interação com clientes, produção e consumo.
4. Automação física avançada: as inovações como manufaturas aditivas e robôs adaptativos, aliadas a novos materiais, vão gerar novas possibilidades de precisão, individualização e produtividade.
5. Biorrevolução: o uso de processos biológicos para produzir moléculas transformará diversas indústrias, otimizando processos industriais e viabilizando novos produtos.
6. Reconfiguração de cadeias produtivas: crescentes instabilidades no cenário geopolítico gerarão variações bruscas nas cadeias de suprimento e alterarão demandas e disponibilidade de produtos importados e exportados.
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