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Leis Ordinárias

Lei nº 12881, de 12 de novembro de 2013

Lei 12881

CAPÍTULO I

DA DEFINIÇÃO, QUALIFICAÇÃO, PRERROGATIVAS E FINALIDADES DAS

Art. 1.
As Instituições Comunitárias de Educação Superior são organizações da sociedade civil brasileira que possuem, cumulativamente, as seguintes características:
Iestão constituídas na forma de associação ou fundação, com personalidade jurídica de direito privado, inclusive as instituídas pelo poder público;
IIpatrimônio pertencente a entidades da sociedade civil e/ou poder público;
IIIsem fins lucrativos, assim entendidas as que observam, cumulativamente, os seguintes requisitos:
a)não distribuem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
b)aplicam integralmente no País os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;
c)mantêm escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão;
IVtransparência administrativa, nos termos dos arts. 3º e 4º ;
Vdestinação do patrimônio, em caso de extinção, a uma instituição pública ou congênere.
§ 1ºA outorga da qualificação de Instituição Comunitária de Educação Superior é ato vinculado ao cumprimento dos requisitos instituídos por esta Lei.
§ 2ºÀs Instituições Comunitárias de Educação Superior é facultada a qualificação de entidade de interesse social e de utilidade pública mediante o preenchimento dos respectivos requisitos legais.
§ 3ºAs Instituições Comunitárias de Educação Superior ofertarão serviços gratuitos à população, proporcionais aos recursos obtidos do poder público, conforme previsto em instrumento específico.
§ 4ºAs Instituições Comunitárias de Educação Superior institucionalizarão programas permanentes de extensão e ação comunitária voltados à formação e desenvolvimento dos alunos e ao desenvolvimento da sociedade.
Art. 2.
As Instituições Comunitárias de Educação Superior contam com as seguintes prerrogativas:
Iter acesso aos editais de órgãos governamentais de fomento direcionados às instituições públicas;
IIreceber recursos orçamentários do poder público para o desenvolvimento de atividades de interesse público;
III(VETADO).
IVser alternativa na oferta de serviços públicos nos casos em que não são proporcionados diretamente por entidades públicas estatais;
Voferecer de forma conjunta com órgãos públicos estatais, mediante parceria, serviços de interesse público, de modo a bem aproveitar recursos físicos e humanos existentes nas instituições comunitárias, evitar a multiplicação de estruturas e assegurar o bom uso dos recursos públicos.
Art. 3.
Para obter a qualificação de Comunitária, a Instituição de Educação Superior deve prever em seu estatuto normas que disponham sobre:
Ia adoção de práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes para coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de privilégios, benefícios ou vantagens pessoais;
IIa constituição de conselho fiscal ou órgão equivalente, dotado de competência para opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade;
IIInormas de prestação de contas a serem atendidas pela entidade, que determinarão, no mínimo:
a)a observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade;
b)publicidade, por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, do relatório de atividades e das demonstrações financeiras da entidade;
c)prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública;
IVparticipação de representantes dos docentes, estudantes e técnicos administrativos em órgãos colegiados acadêmicos deliberativos da instituição.
Art. 4.
Cumpridos os requisitos desta Lei, a instituição interessada em obter a qualificação de Instituição Comunitária de Educação Superior deverá formular requerimento escrito ao Ministério da Educação, instruído com cópias autenticadas dos seguintes documentos:
Iestatuto registrado em cartório;
IIbalanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício anterior;
IIIDeclaração de Regular Funcionamento;
IVRelatório de Responsabilidade Social relativo ao exercício do ano anterior;
Vinscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas.
Art. 5.
Recebido o requerimento previsto no art. 4º , o Ministério da Educação decidirá, no prazo de 30 (trinta) dias, deferindo ou não o pedido.
§ 1ºNo caso de deferimento, o Ministério da Educação publicará a decisão no Diário Oficial da União, no prazo de 15 (quinze) dias, e emitirá, no mesmo prazo, certificado de qualificação da requerente como Instituição Comunitária de Educação Superior.
§ 2ºO pedido de qualificação será indeferido quando:
Ia requerente não atender aos requisitos estabelecidos nesta Lei;
IIa documentação apresentada estiver incompleta.
§ 3ºIndeferido o pedido, o Ministério da Educação dará ciência da decisão, mediante publicação no Diário Oficial da União, cabendo recurso da instituição, no prazo de 30 (trinta) dias, ao Ministro da Educação, que promoverá novo exame.

Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

Dispõe sobre a definição, qualificação, prerrogativas e finalidades das Instituições Comunitárias de Educação Superior - ICES, disciplina o Termo de Parceria e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO II

DO TERMO DE PARCERIA

Art. 6.
Fica instituído o Termo de Parceria, instrumento a ser firmado entre o poder público e as Instituições de Educação Superior qualificadas como Comunitárias, destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas nesta Lei.
Art. 7.
O Termo de Parceria firmado de comum acordo entre o poder público e as Instituições Comunitárias de Educação Superior discriminará direitos, responsabilidades e obrigações das partes signatárias.
§ 1ºA celebração do Termo de Parceria será precedida de consulta aos Conselhos de Políticas Públicas da área educacional, nos respectivos níveis de governo.
§ 2ºSão cláusulas essenciais do Termo de Parceria:
Ia do objeto, que conterá a especificação do programa de trabalho proposto pela Instituição Comunitária de Educação Superior;
IIa de estipulação das metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos de execução ou cronograma;
IIIa de previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de resultado;
IVa de previsão de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipulando item por item as categorias contábeis usadas pela organização e o detalhamento das remunerações e benefícios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vinculados ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores;
Va que estabelece as obrigações da Instituição Comunitária de Educação Superior, entre as quais a de apresentar ao poder público, ao término de cada exercício, relatório sobre a execução do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo específico das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado de prestação de contas dos gastos e receitas efetivamente realizados, independentemente das previsões mencionadas no inciso IV;
VIa de publicação, na imprensa oficial do Município, do Estado ou da União, conforme o alcance das atividades pactuadas entre o órgão parceiro e a Instituição Comunitária de Educação Superior, de extrato do Termo de Parceria e de demonstrativo da sua execução física e financeira, conforme modelo simplificado estabelecido no regulamento desta Lei, contendo os dados principais da documentação obrigatória do inciso V, sob pena de não liberação dos recursos previstos no Termo de Parceria.
Art. 8.
A execução do objeto do Termo de Parceria será acompanhada e fiscalizada pelas seguintes instâncias:
IConselho da Instituição Comunitária de Educação Superior responsável pelas parcerias com o poder público, com caráter deliberativo;
IIórgão do poder público responsável pela parceria com a instituição comunitária de educação;
IIIconselho de política pública educacional da esfera governamental correspondente.
§ 1ºOs resultados atingidos com a execução do Termo de Parceria devem ser analisados por comissão de avaliação, composta de comum acordo entre o órgão parceiro e a Instituição Comunitária de Educação Superior.
§ 2ºA comissão encaminhará à autoridade competente relatório conclusivo sobre a avaliação realizada.
§ 3ºOs Termos de Parceria destinados ao fomento de atividades nas áreas de que trata esta Lei estarão sujeitos aos mecanismos de controle social previstos na legislação.
Art. 9.
A Instituição Comunitária de Educação Superior fará publicar, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, contado da assinatura do Termo de Parceria, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do poder público.

CAPÍTULO III

D ISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 10.
Termo de Parceria instituído pelo art. 6º desta Lei não substitui as modalidades de ajuste, acordo e convênio previstos na legislação vigente.
Art. 11.
(VETADO).
Art. 12.
É vedado às Instituições Comunitárias de Educação Superior financiar campanhas político-partidárias ou eleitorais.
Art. 13.
(VETADO).
Art. 14.
Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 12 de novembro de 2013; 192º da Independência e 125º da República.

DILMA ROUSSEFF

Guido Mantega

Aloizio Mercadante

Miriam Belchior

Luís Inácio Lucena Adams

Este texto não substitui o publicado no DOU de 13.11.2013 - Edição extra

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