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Medidas Provisórias

Medida Provisória nº 751, de 9 de novembro de 2016

MPV 751

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Art. 1.
Fica instituído o Programa Cartão Reforma que tem por finalidade a concessão de subvenção econômica para aquisição de materiais de construção, destinada à reforma, à ampliação ou à conclusão de unidades habitacionais dos grupos familiares contemplados, incluídos o fornecimento de assistência técnica e os custos operacionais do Programa que estejam a cargo da União.
§ 1ºA União fica autorizada a conceder a subvenção econômica de que trata o capu t mediante recursos dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, observada a disponibilidade orçamentária e financeira.
§ 2ºA parcela da subvenção econômica destinada à aquisição de materiais de construção deverá ser aplicada exclusivamente no imóvel indicado pelo beneficiário, quando da inscrição no processo de seleção do Programa.
§ 3ºA subvenção econômica de que trata o caput será concedida uma única vez, por grupo familiar e por imóvel, não podendo ser cumulativa com outros subsídios concedidos no âmbito de programas habitacionais da União, excetuados aqueles a serem definidos pelo Poder Executivo federal.

Presidência da República

Secretaria-Geral

Subchefia para Assuntos Jurídicos

Cria o Programa Cartão Reforma e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:

Seção I

Da estrutura e finalidade do Programa Cartão Reforma

Art. 2.
Compete ao Ministério das Cidades a gestão do Programa no âmbito da sua competência.
Art. 3.
Fica atribuída à Caixa Econômica Federal a função de Agente Operador do Programa.
§ 1ºOs Ministros de Estado das Cidades, da Fazenda e do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão fixarão, em ato conjunto, a remuneração devida à Caixa Econômica Federal pelas atividades exercidas no âmbito do Programa.
§ 2ºCompete à Caixa Econômica Federal, na condição de Agente Operador do Programa, expedir os atos necessários à atuação de instituições financeiras oficiais federais na operacionalização do Programa.
Art. 4.
A União, por intermédio do Ministério das Cidades, manterá controle gerencial das ações do Programa, a partir de relatórios periodicamente encaminhados pela Caixa Econômica Federal, na condição de Agente Operador, e pelos entes apoiadores.
Art. 5.
Consideram-se:
Igrupo familiar: a unidade nuclear composta por um ou mais moradores permanentes que contribuam para o seu rendimento conjunto ou que tenham as suas despesas por ela atendidas, abrangidas todas as espécies de famílias reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive a família unipessoal;
IIrenda familiar mensal: a soma dos rendimentos brutos auferidos mensalmente pela totalidade dos integrantes de um grupo familiar, incluídos os rendimentos provenientes de programas oficiais de transferência de renda;
IIIreforma, ampliação e conclusão de unidade habitacional: as obras destinadas à melhoria de condições de habitabilidade, de salubridade, de segurança e de dignidade da moradia, conforme regulamentação do Poder Executivo federal;
IVcartão reforma: meio de pagamento nominal aos beneficiários do Programa para que adquiram exclusivamente materiais de construção, obedecidos os requisitos previstos nesta Medida Provisória e em regulamentação do Poder Executivo federal;
Ventes apoiadores: os Estados, o Distrito Federal e os Municípios responsáveis pela fiel execução das ações do Programa;
VIparticipantes: os beneficiários, a União e seus agentes, a Caixa Econômica Federal e seus agentes, os entes apoiadores e seus agentes, os comerciantes de materiais de construção e todos aqueles que concorrerem para as ações do Programa ou que se beneficiarem, direta ou indiretamente, dos recursos deste;
VIIassistência técnica: conjunto de ações, definido pelo Poder Executivo federal, a serem adotadas pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios para a orientação aos beneficiários do Programa quanto à adequada aplicação dos recursos oriundos da subvenção econômica recebida; e
VIIIsubvenção econômica: recursos provenientes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social destinados à aquisição de materiais de construção, incluídos o fornecimento de assistência técnica e os custos operacionais do Programa que estejam a cargo da União.
Art. 6.
Os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e instituições privadas poderão complementar o valor da subvenção econômica de que trata o caput do art. 1º, mediante aportes de recursos financeiros, concessão de incentivos fiscais ou fornecimento de bens e serviços economicamente mensuráveis, nas condições a serem definidas pelo Poder Executivo federal.

Seção II

Dos requisitos para participação e enquadramento no Programa

Art. 7.
Para participar do Programa, o candidato a beneficiário deverá atender, no mínimo, aos seguintes requisitos:
Iintegrar grupo familiar com renda mensal de até R$ 1.800,00 (um mil e oitocentos reais);
IIser proprietário, possuidor ou detentor de imóvel residencial, em áreas regularizadas ou passíveis de regularização, na forma definida pelo Poder Executivo federal, excluído o ocupante de imóveis cedidos ou alugados; e
IIIser maior de dezoito anos ou emancipado.
§ 1ºTerão prioridade de atendimento, no âmbito do Programa, os grupos familiares de que façam parte pessoas com deficiência e idosos, de que tratam, respectivamente, a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 , e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 .
§ 2ºÉ vedada a utilização da subvenção econômica do Programa em imóveis de natureza exclusivamente comercial.
§ 3ºOutros requisitos para participação no Programa poderão ser definidos pelo Poder Executivo federal.

Seção III

Da operacionalização do programa

Art. 8.
A execução e a gestão do Programa contarão com a participação dos entes apoiadores.
§ 1ºA supervisão e a avaliação das ações do Programa serão realizadas em regime de colaboração com os órgãos competentes dos entes apoiadores.
§ 2ºO Poder Executivo federal estabelecerá:
Ios procedimentos e as condições necessárias para adesão ao Programa;
IIas competências dos participantes do Programa;
IIIos instrumentos a serem celebrados entre a União e os entes apoiadores no âmbito do Programa;
IVos limites da parcela da subvenção econômica concedida a cada beneficiário do Programa;
Vos limites da parcela da subvenção econômica destinada à assistência técnica;
VIos limites da parcela da subvenção econômica destinada à satisfação dos custos operacionais do Programa que estejam a cargo da União;
VIIos procedimentos e os instrumentos de controle e de acompanhamento das ações do Programa pelos entes federados;
VIIIas metas a serem atingidas pelo Programa;
IXas diretrizes para gestão e avaliação dos resultados do Programa;
Xos critérios de alocação dos recursos do Programa no território nacional;
XIos critérios de seleção dos beneficiários do Programa;
XIIo prazo máximo no qual deverão ser efetivamente utilizados os recursos da parcela da subvenção econômica concedida a cada beneficiário do Programa, sob pena de cancelamento desta; e
XIIIa periodicidade e os critérios de atualização dos limites da renda familiar mensal, até o valor máximo de três salários mínimos.

Seção IV

Disposições finais

Art. 9.
A aplicação indevida dos recursos da subvenção econômica de que trata esta Medida Provisória sujeitará o beneficiário às seguintes penalidades, sem prejuízo de outras sanções civis, administrativas e penais cabíveis:
Ivedação ao recebimento de recursos ou benefícios associados a qualquer programa habitacional federal; e
IIobrigação de devolver integralmente os recursos recebidos, em valor corrigido monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -IPCA divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE.
Art. 10.
s participantes do Programa, públicos ou privados, que venham a descumprir normas ou contribuir, por ação ou omissão, para a aplicação indevida dos recursos do Programa, perderão a possibilidade de atuar nele, sem prejuízo das demais sanções civis, administrativas e penais aplicáveis, em especial as previstas na Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992 .
§ 1ºSem prejuízo das responsabilidades civil, penal e administrativa, os participantes do Programa serão responsabilizados e ficarão obrigados a ressarcir integralmente os danos causados e, caso comprovado dolo ou fraude, ficarão adicionalmente obrigados a pagar multa, nunca inferior ao dobro e superior ao quádruplo da quantia da subvenção econômica recebida, quando:
Iinformarem, inserirem ou fizerem inserir dados ou informações falsas no âmbito do Programa;
IIcontribuírem para que pessoa diversa do beneficiário final do Programa receba vantagem indevida; ou
IIIderem causa ou contribuírem para irregularidades na implementação das ações do Programa.
Art. 11.
Ato do Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Medida Provisória.
Art. 12.
Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de novembro de 2016; 195º da Independência e 128º da República.

MICHEL TEMER

Bruno Cavalcanti de Araújo

Este texto não substitui o publicado no DOU de 10.11.2016

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