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São Paulo

Decreto Estadual de São Paulo nº 68158, de 9 de dezembro de 2023

Nº 68158/2023

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Art. 1.
- Fica instituída a Política de Gestão de Riscos da Administração Pública direta e autárquica do Estado de São Paulo, com vistas à incorporação da análise de riscos à tomada de decisão em órgãos e entidades, em conformidade com a política de governança estadual.

Parágrafo único- A política a que se refere o "caput" deste artigo abrange conceitos, objetivos, princípios, responsabilidades e o processo de gestão de riscos.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, no uso de suas atribuições legais,

Decreta:

Art. 2.
- Para fins deste decreto, considera-se:
Ialta administração: Secretários de Estado, Procurador Geral do Estado, Controlador-Geral do Estado, dirigentes máximos de autarquias e respectivos substitutos, enquanto respondendo pelo expediente do órgão ou entidade;
IIapetite a risco: nível de risco que os órgãos ou entidades estão dispostos a assumir;
IIIcontroles internos: conjunto de regras, procedimentos, diretrizes, protocolos, rotinas de sistemas informatizados, conferências e trâmites de documentos e informações, implementados de forma integrada pela alta administração e pelos demais agentes públicos dos órgãos e entidades que, com base em gestão de riscos, forneçam segurança razoável de que os objetivos institucionais serão alcançados;
IVgestão de riscos: aplicação sistemática de procedimentos e práticas que contemplam as atividades de identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar potenciais eventos que tenham impacto no cumprimento dos objetivos de uma instituição;
Vgestor do risco: pessoa, órgão ou entidade com responsabilidade e autoridade para gerenciar o risco;
VIgovernança pública: conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à concepção e implementação de políticas públicas e à prestação de serviços públicos;
VIImedidas de controle: medidas adotadas por órgãos ou entidades para tratar os riscos identificados, aumentando a probabilidade de que os objetivos e metas institucionais sejam alcançados;
VIIIobjetivo institucional: situação que se deseja alcançar de forma a se evidenciar êxito no cumprimento da finalidade dos órgãos ou entidades;
IXrisco: potencial evento que tenha impacto no cumprimento dos objetivos de uma instituição;
Xtratamento do risco: execução de medidas de controle com a finalidade de modificar um risco identificado, aumentando a probabilidade de que os objetivos institucionais sejam alcançados.

Art. 3.
- O processo de gestão de riscos deverá ser implementado pelos órgãos e entidades, de forma gradual, como ferramenta necessária à consecução dos seus objetivos e à garantia de uma gestão pública de qualidade.

Parágrafo único- Os órgãos e entidades poderão estabelecer práticas de gestão de riscos próprias, de acordo com suas especificidades e estratégias, desde que alinhadas às disposições deste decreto.

Art. 4.
- O processo de gestão de riscos deverá ser implementado de maneira a priorizar os processos de trabalho, projetos, atividades e ações mais estratégicos e que impactam diretamente a consecução dos objetivos dos órgãos e entidades.

Parágrafo único- O dirigente máximo do órgão ou entidade deverá garantir apoio institucional necessário para promover a gestão de riscos, em especial os recursos tecnológicos, financeiros e humanos adequados à efetividade do processo.

Art. 5.
- A Política de Gestão de Riscos tem por objetivo orientar o processo de gestão de riscos no âmbito dos órgãos e entidades da Administração Pública direta e autárquica do Estado de São Paulo, com vistas a:
Iaumentar a probabilidade de consecução dos objetivos institucionais, por meio da identificação de potenciais eventos que possam impactá-los;
IIalinhar a atuação gerencial ao apetite a riscos do órgão ou entidade;
IIIaprimorar os controles internos da gestão;
IVaperfeiçoar os mecanismos de governança e de prestação de contas por decisões tomadas e ações implementadas, contribuindo para o uso eficiente, eficaz e efetivo de recursos;
Vdisseminar a cultura de gestão de riscos;
VIagregar valor à instituição ao estabelecer uma base confiável para o planejamento e tomada de decisão;
VIIadequar os controles internos ao tratamento dos riscos.

Art. 6.
- A Política de Gestão de Riscos observará as seguintes diretrizes:
Iagregar valor à gestão e proteger o ambiente interno;
IIser parte integrante dos processos institucionais;
IIIapresentar abordagem sistemática, estruturada, abrangente e oportuna;
IVexpressar dinamismo, iteratividade e pronta capacidade de resposta a mudanças;
Vutilizar as melhores informações disponíveis;
VIconsiderar fatores humanos e culturais;
VIIfomentar a melhoria contínua, por meio do aprendizado e de experiências;
VIIIsubsidiar a tomada de decisões.

Art. 7.
- As responsabilidades quanto à gestão de riscos organizam-se em três linhas de atuação, compreendendo:
Iprimeira linha: servidores e empregados públicos responsáveis pelo gerenciamento direto dos riscos nos níveis estratégicos, táticos ou operacionais, como os gestores de unidades, de processos de trabalho, de projetos, de atividades, de ações, de contratos e de demais instrumentos congêneres;
IIsegunda linha: servidores e empregados públicos responsáveis pelos controles internos e gestão de riscos, que têm como objetivo apoiar e monitorar, mediante fornecimento de conhecimento e de ferramentas adequadas, os gestores de que trata o inciso I deste artigo;
IIIterceira linha: Controladoria Geral do Estado, responsável pela avaliação objetiva e independente da gestão de riscos, controles internos e governança.

Art. 8.
- À primeira linha de que trata o inciso I do artigo 7° deste decreto, cabe:
Iselecionar os processos, projetos, atividades e ações que terão seus riscos gerenciados, considerando as prioridades do órgão ou entidade, observada a Política de Gestão de Riscos;
IIelaborar os planos de ação para o tratamento dos riscos, considerando o apetite a riscos do órgão ou entidade;
IIIavaliar os resultados obtidos com o processo de gestão de riscos.

Art. 9.
- À segunda linha de que trata o inciso II do artigo 7° deste decreto, responsável pelos controles internos e gestão de riscos, cabe:
Iapoiar os gestores de riscos de primeira linha em suas atribuições, especialmente na implantação, monitoramento e melhoria dos controles internos estabelecidos na gestão de riscos;
IIacompanhar a evolução dos níveis de risco e da efetividade dos planos de ação;
IIImonitorar os riscos que impactam a consecução dos objetivos estratégicos;
IVavaliar a adequação, suficiência e eficácia do processo de gestão de riscos;
Vassessorar o Comitê Interno de Governança do órgão ou entidade nos temas técnicos relacionados à gestão de riscos.

Art. 10.
- A Controladoria Geral do Estado, em relação à atuação de que trata o inciso III do artigo 7° deste decreto, tem as seguintes atribuições:
Iavaliar as atividades dos gestores de riscos de primeira e de segunda linha, no que tange à eficácia dos controles internos e da gestão de riscos, assessorando-os quanto às melhores práticas;
IIverificar a conformidade das atividades executadas à Política de Gestão de Riscos;
IIIavaliar o desempenho da gestão de riscos, com vistas a promover a melhoria contínua do processo e a auxiliar o órgão ou entidade a alcançar seus objetivos estratégicos.

Art. 11.
- O Comitê Interno de Governança do órgão ou entidade, relativamente à política de que trata este decreto, tem as seguintes atribuições:
Idefinir os limites de apetite a risco no nível institucional;
IIaprovar os planos de ação e as respectivas medidas de controle a serem implementadas;
IIIzelar pelo alinhamento da gestão de riscos aos padrões de conduta e integridade, assim como ao planejamento estratégico.

Art. 12.
- O processo de gestão de riscos compreende as seguintes etapas:
Ientendimento do contexto: conhecer os objetivos institucionais e os processos a eles relacionados, assim como definir os contextos internos e externos a serem levados em consideração ao gerenciar os riscos;
IIidentificação e análise de riscos: levantar os possíveis riscos relativos aos processos, projetos, atividades e ações, bem como suas causas e consequências;
IIIavaliação de riscos: estimar os níveis dos riscos identificados, avaliando a gravidade com base em critérios de impacto, probabilidade de ocorrência e definição do apetite a riscos;
IVtratamento de riscos: definir as medidas de controle, de acordo com o apetite a risco estabelecido;
Vcomunicação e monitoramento: acompanhar o desempenho e verificar a adequação e suficiência dos controles internos, mantendo um fluxo contínuo de compartilhamento de informações entre as partes interessadas.

Art. 13.
- O Controlador Geral do Estado editará normas complementares necessárias ao cumprimento deste decreto.

Art. 14.
- A Política de Gestão de Riscos deve ser objeto de revisão periódica, com vistas a sua melhoria contínua.

Art. 15.
- Os representantes do Estado nas fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público adotarão as providências necessárias ao cumprimento deste decreto, em seus respectivos âmbitos.

Art. 16.
- Este decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 9 de dezembro de 2023.

TARCÍSIO DE FREITAS

Arthur Luis Pinho de Lima

Secretário-Chefe da Casa Civil

Edson Alves Fernandes

Secretário Executivo, Respondendo pelo Expediente da Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Jorge Luiz Lima

Secretário de Desenvolvimento Econômico

Marilia Marton Correa

Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas

Renato Feder

Secretário da Educação

Samuel Yoshiaki Oliveira Kinoshita

Secretário da Fazenda e Planejamento

Marcelo Cardinale Branco

Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação

Sonaira Fernandes de Santana Souza

Secretária de Políticas para a Mulher

Fábio Prieto de Souza

Secretário da Justiça e Cidadania

Natália Resende Andrade Ávila

Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística

Gilberto Nascimento Silva Junior

Secretário de Desenvolvimento Social

Lais Vita Merces Souza

Secretária de Comunicação

Eleuses Vieira de Paiva

Secretário da Saúde

Guilherme Muraro Derrite

Secretário da Segurança Pública

Marcello Streifinger

Secretário da Administração Penitenciária

Marco Antonio Assalve

Secretário dos Transportes Metropolitanos

Helena dos Santos Reis

Secretária de Esportes

Roberto Alves de Lucena

Secretário de Turismo e Viagens

Marcos da Costa

Secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Rafael Antonio Cren Benini

Secretário de Parcerias em Investimentos

Caio Mario Paes de Andrade

Secretário de Gestão e Governo Digital

Marco Aurélio dos Santos Rocha

Secretário Executivo, Respondendo pelo Expediente da Secretaria de Negócios Internacionais

Vahan Agopyan

Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação

Gilberto Kassab

Secretário de Governo e Relações Institucionais

Publicado na Casa Civil, aos 9 de dezembro de 2023.

Retificações do D.O. de 12-12-2023

No referendo leia-se como segue e não como constou:

André Isper Rodrigues Barnabé

Secretário Executivo, Respondendo pelo Expediente da Secretaria Parcerias em Investimentos

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