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Paraíba

Lei Estadual da Paraíba nº 7714, de 28 de dezembro de 2004

Lei nº 7714/2004

Art. 1.
Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construçio e refonna de edificios e nos meios de transporte e de comunicação.

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ESTADO DA PARAÚIA

LEI .N8 7. 71' t DE 28 DE DEZEMBRO DE2004

Estabelece normas e critérios para a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dj outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA PARAÍBA:

Faço saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 2.
Para os fins desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições:
Iacessibilidade: possibilidade e condições de alcance pera utili:raçio, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida; n - barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas, classificadas em:
a)barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público;
b)barreiras arquitetônicas nu edificações: as existentes no interior dos edificios públicos e privadosQ

* ESTADO DA PARAÍBA

c)barreiras arquitetônicas nos transportes: as existentes nos meios de transporte;
d)barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa.
IIIpessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que, temporária ou permanentemente, tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo;
IVelemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamentos para esgotos, distribuição de energia elétrica, iluminação pública, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico;
Vmobiliário urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação, de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos, tais como semáforos, postes de sinaliz.ação e similares, cabines telefõnicas, fontes públicas, lixeiras, toldos, marquises, quiosques e quaisquer outros de naturez.a análoga;
VIajuda técnica: qualquer elemento que facilita a autonomia pessoal ou .possibilite o acesso e o uso do meio tisico.

CAPITUWil Dos Elementos da Urbanimção

Art. 3.
O planejamento e a urbani7.ação das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de forma a torná-los acessíveis para as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 4.
As vias públicas, os parques e os demais espaços de uso público existentes, assim como as respectivas instalações de serviços e mobiliários urbanos deverão ser adaptados, obedecendo-se à ordem de prioridade que vise à maior eficiência das modificações, no sentido de promover mais ampla acessibilidade às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzi~

ESTADO DA PARAÍBA

Art. Sº O projeto e o traçado dos elementos de urbaniz.ação públicos e privados de uso comunitário, nestes compreendidos os itinerários e as passagens de pedestres, os percursos de entrada e de saída de veículos, as escadas e rampas, deverão observar os parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.

Art. 6.
Os banheiros de uso público existentes ou a construir em parques, praças, jardins e espaços livres públicos deverão ser acessíveis e dispor, pelo menos, de um sanitário e de um lavatório que atendam às especificações da NBR 9050 da ABNT.
Art. 7.
Em todas as áreas de estacionamento de veículos, localiz:adas em vias ou em espaços públicos, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência com dificuldades de locomoção.
Parágrafo únicoAs vagas a que se refere o "caput" deste artigo deverão ser em número equivalente a 2o/o(dois por cento) do total, garantindo-se, no mínimo, uma vaga, devidamente sinalizada e com as especificações técni~ de desenho e traçado de acordo com as normas técnicas vigentes.

CAPITULOm Do Desenho e da Localização do Mobiliário Urbano

Art. 8.
Os sinais de tráfego, semáforos, postes de iluminação ou quaisquer outros elementos verticais de sinalização que devam ser instalados em itinerário ou espaço de acesso para pedestres deverão ser dispostos de forma a não dificultar ou impedir a circulação e de modo a que possam ser utilizados com a máxima comodidade.
Art. 9.
Os semáforos para pedestres instalados nas vias públicas deverão estar equipados com mecanismo que emita sinal sonoro suave, intermitente e sem estridência, ou com mecanismo alternativo, que sirva de guia ou orientação para a travessia de pessoas portadoras de

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deficiência visual, se a intensidade do fluxo de veículos e a periculosidade da via assim determinarem.

Art. 1.
Os elementos do mobiliário urbano deverão ser projetados e instalados em locais que permitam sejam eles utilizados pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

CAPÍTUWIV Da Acessibilidade nos Ediffcios Páblicos ou de Uso Coletivo

Art. 11.
A construção, ampliação ou reforma de ediftcios públicos ou privados destinados ao uso coletivo deverão ser executadas de modo a que sejam ou se tomem acessíveis ·àS pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

Par,grafo único. Para os fins do disposto neste artigo, na construção, ampliação ou reforma de edificios públicos ou privados destinados ao uso coletivó deverão ser observados, pelo menos, os seguintes requisitos de acessibilidade:

1 - nas áreas externas ou internas da edificação, destinadas à garagem e ao estacionamento de uso público, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiências com dificuldades de locomoção permanente; .

IIpelo menos um dos acessos ao interior da edificação deverão estar livre de barreiras arquitetônicas e de obstáculos que impeçam ou dificultem a acessibilidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida;
IIIpelo menos um dos itinerários que comuniquem horiz.ontal e verticalmente todas as dependências e serviços do edificio, entre si e com o exterior, deverá cumprir os requisitos de acessibilidade de que trata esta Lei·,
IVos edificios deverão dispor, pelo menos, de um banheiro acessível, distribuindo-se seus equipamentos e acessórios de maneira a que possam ser utilizados por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida~ ESTADO DA PARAÍBA
Art. 12.
s locais de espetáculos, conferências, aulas e outros de natureza similar deverão ser acessíveis às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dispor de espaços reservados para pessoas que utilizam cadeira de rodas e de lugares específicos para pessoas com deficiência auditivas e visual, inclusive acompanhante, de acordo com a NBR 9050 da ABNT, de modo a facilitar-lhes as condições de acesso, circulação e comunicação.

CAPiTuLoV Da Acessibilidade Dos Edifícios de Uso Privado

Art. 13.
s ediflcios de uso privado, em que seja obrigatória a instalação de elevadores, deverão, ao serem construídos, ampliados ou reformados, atender aos seguintes requisitos mínimos de acessibilidade:
Ipercurso acessível, que comunique as unidades habitacionais com o exterior e com as dependências de uso comum;
IIpercurso acessível que una a edificação à via pública, às edificações e aos serviços anexos de uso comum e aos ediftcios vizinhos;
IIIcabine do elevador e respectiva porta de entrada acessíveis para pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 14.
s edificios a serem construídos, ampliados ou reformados, com mais de um pavimento, à exceção das habitações unifamiliares, e que não estejam obrigados à instalação de elevador deverão dispor de especificações técnicas e de projeto que facilitem a instalação de um elevador adaptado, devendo os demais elementos de uso comum destes edificios atender aos requisitos de acessibilidade.

CAPiTuLoVI Da Acessibilidade Dos Veículos de Transporte Coletivo

Art. 15.
s veículos de transporte coletivo deverão cumprir os requisitos de acessibilidade estabelecidos nas normas técnicas específicas"Ql.

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CAPÍTULO VII

Da Acessibilidade nos Sistemas de Comunicação e Sinalização

Art. 16.
Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tomem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalimção h pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, comunicação, trabalho, educação, transporte, cultura, esporte e laz.er.
Art. 17.
Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita Braille, linguagem de sinais e de guiasintérpretes, para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação.
Art. 18.
s serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens adotarão plano de medidas técnicas com o objetivo de permitir o uso da linguagem de sinais ou outra subtitulação, para garantir o direito de acesso à informação das pessoas portadoras de deficiência auditiva, na forma e no prazo previstos em regulamento.

CAPiTuLoVIIl Das Disposiç6es Sobre Ajudas Técnicas

Art. 19.
Poder Público promoverá a supresdo de barreiras urbanísticas, arquitetônicas, de transporte e de comunicação, mediante ajudas técnicas.
Art. 20.
Poder Público, por meio dos organismos de apoio à pesquisa e das agências de financiamento, fomentará programas destinados:
Ià promoção de pesquisas cientificas voltadas ao tratamento e à prevenção de deficiências~
IIao desenvolvimento tecnológico orientado à produção de ajudas técnicas para as pessoas portadoras de deficiênc~ m

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à especialização de recursos humanos acessibilidade.

CAPiTuLoIX Das Medidas de Fomento à Eliminação de Barreiras

Art. 21.
Fica instituído, no âmbito da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, o Programa Estadual de Eliminação de Barreiras Arquitetônicas, Urbanísticas, de Transporte e de Comunicação, cuja execução será disciplinada em regulamento específico.

CAPÍTULO X

Disposições Finais

Art. 22.
A administração pública estadual direta e indireta destinará, anualmente, dotação orçamentária para as adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas existentes nos edificios de uso público de sua propriedade e naqueles que estejam sob sua administração ou uso.
§ 1º...:. A implementação das adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas referidas no "caput" deste artigo deverá ser iniciada a partir do primeiro ano de vigência desta Lei e completada em até quatro anos.
§ 2º- Os requisitos de acessibilidade dos artigos 13 e 14 para os imóveis já existentes deverão ser iniciados imediatamente para implementação em até três anos.
Art. 23.
A ausência de acessibilidade, desde logo, não poderá, em nenhuma hipótese, impedir a realização do ato que normalmente seria praticado com o acesso normal no edificio público ou privado.
Art. 24.
Poder Público promoverá campanhas informativas e educativas dirigidas à população em geral, com a finalidade de conscientizá-la e de sensibilizá-la quanto à acessibilidade e à integração social da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzi~
Art. 25.
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As disposições desta Lei aplicam-se aos edificios ou imóveis declarados bens de interesse cultural ou de valor histórico, desde que as modificações necessárias observem as normas específicas reguladoras destes bens.

Art. 26.
As organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência terão legitimidade para acompanhar o cumprimento dos requisitos de acessibilidade estabelecidos nesta Lei.
Art. 27.
As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão à conta das dotações próprias consignadas no orçamento.
Art. 28.
Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 29.
Revogam-se as disposições em contrário.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA, em João Pessoa, 28 de dezembro de 2004~ 116º da Proclamação da República.

Governador

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